Correio de Caria

A música que (re)nasceu com a Liberdade!!

Numa altura em que comemoramos 48 anos sobre o 25 de Abril, vem à memoria as músicas que saíram à rua depois dessa data, algumas certamente já compostas e tocadas num desses palcos portugueses, mas que faziam críticas discretas ao regime por causa do crivo da censura ditatorial. É de algumas dessas canções revolucionarias portuguesas que venho falar.
A primeira que me vem à memoria e certamente a todos é a Grândola Vila Morena de Zeca Afonso. Aquela que temos quase como segundo Hino. Eu que nasci nos anos 80, em todas as reportagens que vi e ouvi era sempre essa música que estava como pano de fundo.
António Portugal compôs ainda nos anos 60 um poema de Manuel Alegre intitulado Trova do Vento que passa. Foi cantada pela primeira vez por Adriano Correia de Oliveira, sendo depois interpretada também por outros artistas, como Amália Rodrigues.
Do poema de Natália Correia, José Mário Branco compôs a música Queixa das Almas Censuradas e só por acaso é incluída no álbum com o nome “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.
O Povo Unido Jámais Será Vencido, música que foi composta por Sérgio Ortega Alvarado, e se popularizou com o golpe de estado do Chile. Em 1974 o Português Luís Cília fez uma versão portuguesa da canção.
Fausto entra também nesta debanda com a música O Patrão e Nós, numa dura critica aos patrões que quase escravizavam a mão de obra das suas fábricas.
Mais um poema de Manuel Alegre que é utilizado para estas músicas revolucionárias. Francisco Fanhais musicou Letra Para Um Hino.
O maestro Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo lançaram em 1975 o Companheiro Vasco, música que aplaudia a nacionalização dos principais setores económicos do Pais.
Jorge Palma e Fernando Girão levaram a concurso ao festival da eurovisão de 1975 o Pecado (do) Capital.
Também Sérgio Godinho compôs para a critica da ditadura a música Liberdade, palavra que dizia ele mais usava na sua vida.
Não será de admirar que muitos outros artistas tenham ficado pelo caminho sem poder mostrar com o seu dom e criatividade a revolta trazida pela ditadura, mas no fim o que conta é a intenção e tudo o que a história nos deixou e ensinou.

José António Saraiva
Músico
Caria

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