
Médico
Natural e residente em Caria
A representação simbólica ou a lenda da cegonha transportando recém-nascidos no bico, cuidadosamente envoltos num pano branco, depois entregues às famílias através das chaminés, tornou-se um dos símbolos mais populares da maternidade.
A história surge como uma explicação simbólica e infantil para o nascimento dos bebés, e uma forma de responder às perguntas das crianças de maneira fantasiosa e sem entrar em detalhes sobre sexo ou reprodução.
Essa representação, presente em histórias infantis, desenhos animados ou em cartões de nascimento, converteu-se numa tradição universal.
Na realidade, a associação entre as cegonhas e a maternidade tem origens culturais, mitológicas e simbólicas que se desenvolveram ao longo dos séculos em diferentes regiões do mundo.
A relação começou principalmente na Europa, especialmente nas regiões do Norte, onde as cegonhas brancas migravam anualmente. Essas aves costumavam retornar às mesmas casas a cada primavera, onde costumavam fazer os ninhos nos telhados e nas chaminés, período que coincidia com o nascimento de muitas crianças após o rigoroso inverno.
Por essa razão, as pessoas passaram a associar o retorno das cegonhas à fertilidade, ao renascimento e à chegada de novos membros à família. Além disso, a presença das cegonhas era vista como um sinal de boa sorte e prosperidade.
Na mitologia nórdica, as cegonhas simbolizavam a renovação da vida e eram consideradas mensageiras dos deuses.
Já na mitologia grega, a deusa Hera, protetora do casamento e da maternidade, transformou uma rival em cegonha, por ciúmes, após esta se gabar de ser mais bonita que a própria Hera, o que mais tarde contribuiu para o vínculo simbólico da ave com o tema da maternidade.
Com o passar do tempo, a lenda das cegonhas que trazem bebés começou a consolidar – se, especialmente no folclore alemão e escandinavo. Nessas regiões, contava-se às crianças que os bebés vinham de um lago ou de um poço e que as cegonhas eram responsáveis por buscá-los e entregá-los às famílias.
No século XIX, o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen popularizou essa ideia com o conto As Cegonhas, reforçando o imaginário infantil da ave, como portadora da vida. A partir daí, o símbolo espalhou-se por toda a Europa e, mais tarde, pelos Estados Unidos, tornando-se parte da cultura popular ocidental.
Ainda hoje, a imagem da cegonha com um bebé pendurado no bico, aconchegado num manto branco, continua viva como uma metáfora poética, de fantasia e ficção.
Associar cegonhas e maternidade faz e fará parte do imaginário coletivo como uma das mais belas expressões da chegada de uma nova vida ao mundo.
Deixemo-nos de fantasias ou lendas, que é o mesmo que dizer vamos falar de coisas mais sérias.
A quebra da natalidade em Portugal, reflete uma tendência europeia de longo prazo, mas com características próprias que agravam os desafios demográficos e económicos do país. Este fenómeno, associado ao crescente envelhecimento, é um grave problema social, económico e cultural, sobretudo nos territórios do interior do país.
As autarquias desempenham um papel fundamental na mitigação do problema da quebra da natalidade, sendo responsáveis pela criação de políticas locais que complementem as medidas nacionais e respondam às especificidades de cada território.
